Surf – História

O surf nasceu na Polinésia e tinha raízes religiosas, culturais e sociais muito fortes para os povos que ali viviam. Quando o Capitão James Cook, um navegador inglês, chegou ao Hawaii em 1778, ficou espantado com a habilidade dos nativos que deslizavam sobre as ondas com pedaços de madeira.

No século XIX, o surf foi proibido por missionários cristãos que consideravam esta atividade pagã. Até o início do século XX, o esporte permaneceu em baixa. Foi quando surgiu o "pai do surf" Duke Paoa Kahanamoku.

Até então, o mundo não tinha idéia do que era o Hawaii e muito menos, o surf, entretanto, Duke Kahanamoku utilizou sua fama para divulgar o esporte para o mundo. Ele se tornou conhecido após ser campeão olímpico e recordista mundial de natação em 1912, em Estocolmo.

Duke fez o mundo saber que ele era um surfista da praia de Waikiki, situada no arquipélago havaiano e que o surf era o ato de cavalgar nas ondas do mar. Ele sabiamente tirava proveito de sua fama, objetivando beneficiar as coisas que amava: o solo havaiano, seu povo e o surf. Ele morreu em 1968 aos 77 anos, mas até hoje, todos os surfistas lembram daquele que foi e sempre será lembrado como o pai do surf moderno.

Durante a II Guerra Mundial, no início dos anos 40, um jovem californiano chamado Robert Simmons, inventou a prancha de fibra de vidro, revolucionando o surf.

Na década de 60, na Califórnia, houve uma explosão no número de praticantes, chegando a 350.000 surfistas, popularizando definitivamente o esporte, pois com as novas tecnologias as pranchas diminuíram de peso e tamanho, apesar de ainda medirem 3m de comprimento e pesarem15Kg.

O crescimento do surf competitivo aconteceu na década de 80 acompanhado de um grande crescimento na indústria especializada, que possibilitou a profissionalização de muitos atletas, criando um circuito mundial com milhares de dólares em prêmios.

No Brasil, as primeiras pranchas chamadas de "tábuas havaianas" foram trazidas por turistas. A primeira prancha brasileira foi feita em 1938 pelos paulistas Osmar Gonçalves, João Roberto e Júlio Putz a partir de uma matéria de uma revista americana que dava medidas e o tipo de madeira a ser usada. Pesava 80kg e media 3,6m. Pouco antes (1934-1936), na praia de Santos, o americano naturalizado brasileiro Thomas Rittscher Jr. surfou as primeiras ondas do Brasil.

Em 1950, os cariocas Jorge Grande, Bizão e Paulo Preguiça, construíram uma prancha de madeira inspirados nas pranchas de balsa que um piloto de avião comercial da rota Hawaii - Rio trazia em suas viagens. Não tinha flutuação nem envergadura. Em 1963, George Bally e Arduíno Colassanti, começaram a shapear as primeiras pranchas de isopor. Com uma lixa grossa presa a uma madeira, levavam dois dias para fazer uma prancha. A referência era uma foto de revista.

Quando Peter Troy, surfista californiano vindo do Peru em 1964, chegou ao Rio de Janeiro, encontrou um grupo que já surfava as ondas do Arpoador com pranchas de madeirite que tinham desenhos e concepção totalmente brasileiros. Peter, que trazia em sua bagagem uma prancha de fibra, entrou na água e impressionou a todos com um show de surf. Esse foi, sem dúvida, o ponto de partida do surf moderno no Brasil. Peter Troy trouxe templates e noções de shapear de seu país.

Mais tarde apareceu o Suform importado, mas o bloco ainda era de isopor. Enquanto isso em São Paulo, Homero fazia as primeiras pranchas de madeira oca. Em 1965, o Cel. Parreiras fundou a primeira fábrica de pranchas do Brasil, a São Conrado Surfboard, no Rio de Janeiro.

Nos anos 70, com as mudanças comportamentais dos jovens no planeta, o surf também passou por transformações radicais ocasionadas principalmente, pela diminuição de tamanho, peso e forma das pranchas, que possibilitavam um novo enfoque na maneira de surfar. No Rio de janeiro em 1971, um projeto de saneamento criou as obras do interceptor oceânico na praia de Ipanema, o que favoreceu enormemente o surf. O pier de Ipanema foi, sem dúvida nenhuma, uma grande escola para toda uma geração, melhorando o nível técnico do esporte no país, pois as ondas que ali surgiram tinham qualidade internacional.

Os primeiros campeonatos foram disputados em Ubatuba/SP e Rio de Janeiro em 1975. Outro fator importante para o surf nacional, foi o sexto lugar obtido por Pepê Lopes no mais tradicional evento do surf mundial, o Pipe Master no Hawaii.

No início dos anos 90, o Brasil passou a fazer parte da elite do surf mundial representado por dois atletas, Fábio Gouveia e Flávio Padaratz, que abriram caminho para outros competidores brasileiros, colocando nosso país entre as três potências do surf mundial, junto com os Estados Unidos e Austrália.

Graças à extensa costa com bom potencial de ondas, novos talentos despontam todos os dias, tornando o surf um dos esportes que mais se desenvolvem no país.

Surf – Regras Básicas

O objetivo é se manter na onda pelo maior tempo possível e explorá-la com o maior número de manobras.

Forma de disputa – os campeonatos são divididos em baterias de 4 surfistas, sendo que 2 competidores avançam para a fase seguinte.

Tempo de disputa – nas primeiras fases das triagens, cada bateria é de 20 minutos. O tempo para as baterias do evento principal é de 25 a 30 minutos.

Uma sirene é utilizada para iniciar e terminar as baterias. Um toque para iniciar e dois toques para terminar.

Máximo de ondas – haverá um máximo de 15 ondas por bateria para cada competidor, com exceção das finais, onde poderão ser surfadas até 20 ondas.

Pontuação – a maior e a menor nota dada pelos juizes a cada onda, são eliminadas, somando-se as duas notas intermediárias. Ao final da bateria, as 3 ou 4 melhores pontuações de cada surfista são destacadas e somadas. O surfista que obtiver o maior número de pontos é o vencedor.

Interferência – o surfista que estiver na parte interna da onda tem o direito incondicional de surfá-la por toda sua extensão. A interferência será caracterizada se, durante o seu trajeto, a maioria dos juizes entender que um outro competidor lesou o potencial de pontos que o surfista que tinha a posse da onda poderia obter.

Julgamento – o surfista deve executar manobras radicais e controladas nas partes mais críticas da onda com estilo, força e velocidade para aumentar o potencial de pontuação. Deverá ser levado em conta o surf inovador e progressivo na hora de pontuar a performance apresentada. Aquele surfista que seguir este critério com o maior grau de dificuldade e controle nas melhores ondas receberá as melhores notas.

Corpo de juízes – é formado por 4 ou 5 juizes que são coordenados pelo Head Judge oficial que estabelece as interpretações, tanto das regras de interferência, quanto dos critérios de julgamento e proporciona uma uniformidade na tomada de decisões de evento. O Head Judge oficial e um outro juiz nomeado podem atuar como referência no evento. Os juizes oficiais reportam-se ao Head Judge.

Corpo de juizes locais – selecionado pelo Head Judge como os melhores talentos locais para inclusão no corpo de juizes oficiais. Os juízes locais reportam-se ao Head Judge e recebem assistência dos juizes oficiais.

Tipos de Prancha

Longboard – são as maiores pranchas, medem a partir de 9". Até a década de 70, eram as mais usadas, pois são parecidas em sua forma com as primeiras pranchas. Atualmente, são as preferidas dos surfistas das antigas e de alguns iniciantes;

Gun – apesar do tamanho, esse modelo havaiano tem menos área de contato com a água do que o longboard. Tem bastante mobilidade e é bastante manobrável. Indicada para ondas grandes.

Funboard – deriva do longboard, mas é menor, em torno de 7". É a prancha preferida dos iniciantes e também uma boa opção para dias em que o mar está muito crowd, porque o surfista consegue remar e entrar na onda antes de quem está usando uma prancha pequena.

Evolution – parece com a fun na largura e na espessura, mas tem o formato da pranchinha normal, com bico mais pontudo. É uma prancha mais solta, que possibilita mais manobras do que o longboard e o funboard.

Performance/Minimodels/Pranchinhas – são as preferidas dos surfistas tops e de amadores que gostam de velocidade e muitas manobras. São as mais usadas para ondas pequenas.

FONTES:
ASP South América - Association of Surfing Professionals South America