Mergulho – História

Os homens têm mergulhado a profundidades de 15 a 30 metros há séculos nas águas quentes dos mares de todo mundo sem auxílio de quaisquer meios artificiais, a não ser, talvez, uma pesada pedra para que pudessem ir ao fundo mais rapidamente. Estes homens eram pescadores de pérolas e esponjas, gente simples, cujo principal objetivo, era viver do que lhes dava o generoso mar.

1.000 anos a.C., certo escultor desconhecido talhou em uma pedra um soldado assírio embaixo d’água, respirando através de uma espécie de saco de couro. Este saco era fixado no peito do mergulhador.

O primeiro mergulhador conhecido pelo nome parece ter sido Glauco, filho de Minos, lendário rei de Creta. Foram os instintos bélicos que levaram o homem, ao que parece, às primeiras experiências científicas na exploração submarina.

O primeiro equipamento auxiliar para mergulhos prolongados foi o sino de mergulho, mencionado por Aristóteles em 332 a.C. e usado, pela primeira vez, por Alexandre Magno para fins militares.

O primeiro homem que desenhou e tentou construir um traje rígido de mergulho foi o inglês John Lethbridge, de Devon, em 1715. Um dos grandes passos foi dado pelo escocês James Watt que, através de seu insistente trabalho, chegou até os motores a vapor, produzindo, de forma eficiente, as primeiras bombas fornecedoras de ar para os mergulhadores. No final do século XVIII, um Alemão – August Siube – aperfeiçoou o primeiro escafandro com capacete.

Mas quem realmente revolucionou o mergulho, e que se tornou lenda durante a sua própria vida, foi Jacques Yves Cousteau, um modesto francês que contribuiu, indubitavelmente, mais do que qualquer outra pessoa para nosso conhecimento da vida subaquática. E foi este homem que, no ano de 1943, na França, em plena ocupação alemã, submergiu pela primeira vez numa angra da Costa Provençal, até 20 metros com auxílio de um aparelho de sua invenção: o primeiro “aqualung” - composto híbrido que significa pulmão aquático. Este aparelho abriu caminho para o desenvolvimento de novos e modernos equipamentos de mergulho que, na verdade, não diferem muito do inventado por Jacques Custeau.

No Brasil os pioneiros começaram, há cerca de trinta e cinco anos, a trazer equipamentos importados para a prática do mergulho. No início, os cursos eram voltados apenas para o pessoal do exército e do corpo de bombeiros, mas atualmente, existe um grande número de mergulhadores/turistas que movimentam um mercado enorme, tanto de equipamentos quanto de pacotes turísticos.

Mergulho – Regras Básicas

Existem dois tipos de mergulho: o livre e o autônomo.

Mergulho livre – aquele feito sem o uso de aparelhos de respiração. Dentro desta categoria, devemos distinguir duas modalidades muitíssimo diferentes entre elas: o mergulho em apnéia e o chamado snorkeling.

Snorkeling – é a maneira mais fácil de se ter o primeiro contato com o mundo submarino. Pode ser praticado por quase qualquer pessoa, usando apenas, um par de nadadeiras, uma máscara e um snorkel. Para este tipo de mergulho não existem competições, tampouco regras.

Mergulho em apnéia – é aquele tipo de mergulho em que o mergulhador não utiliza nenhum aparato para respirar, ou seja, ele submerge apenas com o ar dos pulmões. Pelas elevadas profundidades alcançadas e tempos relativamente longos, só pode ser praticado por pessoas técnica, física e psicologicamente treinadas. Há três tipos de competições de mergulho em apnéia – estática, dinâmica e de profundidade.

Apnéia estática – mantendo o seu fôlego, o apneísta fica o maior tempo possível submerso ou flutuando imóvel com as vias respiratórias imersas na água;

Apnéia dinâmica – com ou sem nadadeiras (dependendo da sub-modalidade), o apneísta deve percorrer a maior distância horizontal possível submerso;

Apnéia de profundidade – nesta modalidade o apneísta deve submergir até a maior profundidade possível. Existem quatro modalidades de apnéia de profundidade:

Lastro constante - praticado no mar e em lagos, o apneísta desce a uma determinada profundidade usando um cinto-lastro e nadadeiras, mas não pode utilizar-se do cabo-guia;

Lastro variável – também praticado no mar ou em lagos, o apneísta desce com o auxílio de lastro controlado (sled) ligado ao cabo-guia. Após atingir a profundidade desejada, o atleta abandona o lastro e retorna à superfície utilizando o cabo-guia ou, simplesmente, usando as nadadeiras;

Imersão livre – é a modalidade de mergulho em apnéia mais natural, pois sem nadadeiras ou lastro, o apneísta se utiliza apenas do cabo-guia para ir o mais fundo possível em lagos ou no mar;

No limits – essa é a modalidade dos grandes profundistas. É derivada do lastro variável, porém a diferença está no modo de retorno à superfície. O apneísta pode utilizar-se de um balão ou colete inflável, ou ainda, outro meio mecânico para subir o mais rápido possível, devido à grande profundidade atingida.

Existe ainda, como modalidade de mergulho em apnéia, a caça ou pesca submarina, cujo objetivo é pegar peixes utilizando apenas máscara, nadadeiras e um arpão.

Mergulho autônomo – entende-se todo aquele que utiliza aparelhos de respiração subaquática independente de suprimento a partir da superfície. Para o mergulho recreativo, utiliza-se o equipamento SCUBA (Self-Contained Underwater Breathing Aparattus). Ele é constituído basicamente de um reservatório (cilindro) de mistura de respiração e de um dispositivo redutor da pressão do ar (válvula reguladora ou, simplesmente, regulador). Além disto, completam o SCUBA, o profundímetro (medidor de profundidade), o manômetro (medidor da pressão do ar do cilindro) e o colete equilibrador. Não existem competições para mergulhadores autônomos, essa modalidade de mergulho é utilizada para lazer, pesquisas, resgates e outros tipos de trabalho. No entanto, diversas regras devem ser respeitadas.

De acordo com a PADI (Professional Association of Diving Instructors), uma das principais certificadoras de mergulho do mundo, um planejamento adequado é a maior garantia de um mergulho agradável. Planejando, você evita problemas por confusões com a sua dupla, equipamento esquecido, ou más condições no local do mergulho. Estas quatro fases de planejamento de mergulhos devem ser seguidas:

Planejamento Adiantado – quando você decide mergulhar, deve pensar nos seguintes itens:
¨ escolher uma dupla;
¨ estabelecer um objetivo e um local para o mergulho;
¨ determinar o melhor momento para ir;
¨ discutir sua logística com sua dupla.

Preparação – você deve:
¨ inspecionar todo o equipamento a ser utilizado;
¨ checar a recarga do cilindro;
¨ separar todo o equipamento numa área;
¨ fazer um checklist para evitar esquecimentos.

Preparação de Último Minuto – antes de sair para o local do mergulho, estes itens devem ser checados:
¨ relato atualizado das condições climáticas;
¨ deixar seu plano de viagem com alguém que não irá junto;
¨ checagem final para não esquecer nada.

Planejamento Pré-Mergulho – uma vez no local do mergulho:
¨ avalie as condições climáticas;
¨ decida onde entrar, a direção a seguir e onde e como sair;
¨ revise os sinais manuais e outras formas de comunicação;
¨ decida o que fazer se você e sua dupla se separarem;
¨ acorde os limites de tempo e profundidade com a dupla;
¨ discuta o que fazer se ocorrer uma emergência.

E, muito importante, mergulhe sempre o que foi planejado.

Equipamentos:

Máscara – permite a visão sob a água, porque mantém uma camada de ar entre os olhos e o meio aquático. Esse espaço está sujeito à pressão externa da água, que deve ser igual a interna da máscara. Por essa razão, o nariz é envolto de modo a permitir que o ar seja exalado para dentro dela igualando, assim, as pressões durante a imersão.

Respirador ou Snorkel – permite que você respire normalmente enquanto nada na superfície e observe os seres subaquáticos sem erguer a boca para fora da água. No mergulho autônomo, o respirador serve para economizar o ar do cilindro ao nadar na superfície.

Nadadeiras – proporcionam maior eficiência á natação, porque aumenta artificialmente a área dos pés. Há a vantagem adicional de liberar mãos e braços para outras atividades.

Roupas isotérmicas – servem para diminuir a perda de calor corpóreo para a água e proteger o mergulhador de ferimentos leves, como arranhões e picadas.

Cinto de lastro – é um conjunto de pastilhas de chumbo unidas por um cinto de nylon, com a finalidade de neutralizar a flutuabilidade e facilitar a permanência sob a água.

Colete equilibrador – é um colete que fica conectado ao cilindro de ar, através de uma mangueira, o que permite que se controle a quantidade de ar desejável para a flutuação.

Cilindro de ar comprimido – conhecido também como garrafa, tanque ou bujão, costuma ser revestido externamente com uma camada de zinco para evitar corrosão, quando de aço. Os cilindros de alumínio são superiores aos de aço, pois são mais resistentes ao calor e arranhões. O cilindro é dotado de um registro ou torneira para manter o ar comprimido em seu interior.

Válvulas reguladoras de pressão – o grande mérito desse aparelho é proporcionar ao mergulhador ar à pressão ambiente e na quantidade requerida por uma simples inalação. Há um conjunto de quatro mangueiras que saem da válvula acoplada ao cilindro, tendo cada uma função específica: regulador (respirador), regulador reserva, mangueira do inflador do colete equilibrador e mangueira do painel de instrumentos (profundímetro e manômetro).

FONTES:
CBPDS (Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos)
CMAS (Confederation Mondiale des Activites Subaquatiques)