Ginástica – História

Os primeiros indícios do surgimento da ginástica são da Grécia Antiga (região onde surge o ideal de beleza para o Homem), onde esse esporte, que existia para o aprimoramento físico dos homens, tinha exibição pública e também competições, que tinham grande importância para a cultura desse povo. A palavra ginástica vem do grego gymna-zein, que significa "treinar nu". Já haviam espaços de treinamento chamados ginásios, com edificações grandiosas e protegidos pelas respectivas divindades. Posteriormente, os romanos utilizaram essa técnica para treinamento de seus soldados, devido ao grande desenvolvimento físico conseguido pelos seus praticantes.

Desde a Antiguidade, a perfeição, tanto física quanto de seus movimentos, era a grande meta dos praticantes da ginástica. Esse foi o motivo para a proliferação do esporte pela Ásia (fator importante para a definição das metas desse esporte por tratar-se de um povo obstinado pela perfeição) e, conseqüentemente, para o resto da Europa. Nesse continente surgem as escolas inglesa (com maior caráter esportivo e competitivo), alemã (com Frederick Jahn, o primeiro a utilizar o cavalo na preparação dos atletas, esse cavalo está exposto no Museu de Freyburg na Alemanha), francesa e sueca. Desde então, ocorreu o aprimoramento técnico e físico do esporte, que também era utilizado socialmente para corrigir vícios de postura para aqueles que trabalhavam nas indústrias e fábricas. Provada essa ligação com a saúde, a ginástica ganhou ainda mais status e importância.

Em 1921, foi fundada a FIG – Fédération Internationale de Gymnastique – órgão internacional que coordena e promove todas as atividades gímnicas ao redor do planeta. Começou com 3 e, hoje, tem 121 países filiados e sede na Suíça. Eles se consideram a primeira Federação de esporte competitivo e esporte recreativo, pois o desenvolvimento ultrapassa os limites da competição e entra no âmbito pessoal e físico.

O primeiro torneio internacional aconteceu em Estocolmo, na Suécia em 1939. Esse torneio chamado Lingiada comemorou o centenário da morte do maior nome da Ginástica Sueca: Per Henrik Ling. Foi o primeiro encontro das escolas e, conseqüentemente, o primeiro passo na evolução da modalidade, pois ouve a troca de informações e técnicas, resultando na ginástica de hoje.

No Brasil a ginástica chegou em nosso país com imigrantes alemães no final do século XIX, provavelmente instalados no Sul do Brasil, esses imigrantes começaram a desenvolver centros onde a ginástica era ensinada, principalmente, aos jovens, até como forma de manter a proximidade com o lugar de origem. Então, notamos a grande influência da escola alemã e, em menor grau, das escolas francesa e sueca. Já consagrada como esporte, a ginástica aparece nos grandes clubes do Sudeste e, a partir daí, sua proliferação para o resto do país.

Ginástica - Regras Básicas

A competição de ginástica prima pela execução de movimentos perfeitos dentro da técnica exigida. Dentro da ginástica existem disciplinas específicas para atletas masculinos e femininos.

Disciplinas Masculinas:

Argolas – o aparelho possui duas argolas com 50cm de distância entre elas, que ficam a 2,75m do solo. O atleta deve executar os movimentos combinados sem movimentar as argolas, tocá-las com os pés, também perde pontos se não executar os movimentos de perna obrigatórios. Mistura impulsão, força e manutenção dos movimentos. O movimento considerado mais difícil é o Xiao Huang.

Barra fixa – a barra fixa está situada a 2,75 m do solo e tem 2,40 m de distância entre as extremidades. Depois do início da apresentação, o atleta não pode mais parar. Os principais pontos são a entrada e a saída do aparelho. O movimento considerado mais difícil é o Moinho.

Solo – o atleta tem de 50 a 70 segundos para executar todos os movimentos anteriormente relacionados aos juízes. O quadrado possui 12m e o atleta não pode sair desse espaço. Mistura flexibilidade, força e equilíbrio. O movimento mais difícil é o salto triplo mortal de costas.

Salto – consiste em saltar um cavalo de 1,30m de altura em relação ao solo. É uma modalidade de grande dificuldade e precisão. O atleta vem tomando impulso, utiliza uma catapulta para o salto e executa um may, por exemplo. O mais importante é a saída do cavalo.

Cavalo com alça – um cavalo de 41cm de largura e 105cm do solo coberto de couro e dividido em três partes por duas alças curvas, que são a plataforma para a execução dos exercícios. O atleta deve iniciar os exercícios, todos simétricos, e não parar mais. Exige ritmo, equilíbrio e força. O movimento mais difícil é o moinho americano.

Barras paralelas – duas barras paralelas de 1,78m de comprimento e 1,75m de altura, que exigem do atleta força, ritmo e equilíbrio. É considerado um dos aparelhos mais difíceis da ginástica. O movimento mais difícil é o moinho Diamidoff.

Disciplinas Femininas:

Barras assimétricas – as atletas executam os movimentos em duas barras de diferentes medidas, a mais alta tem entre 2,20 e 2,24m de altura e, a mais baixa, entre 1,40 e 1,60m. Devem ser executados, no mínimo, 10 movimentos diferentes e, não mais de 4 em cada barra, dentre os obrigatórios estipulados pela FIG e os alternativos.

Trave de equilíbrio – numa barra a 1,20m de altura do chão e 5m de comprimento. As atletas devem executar exercícios onde o equilíbrio é imprescindível. A apresentação deve acontecer entre 1 minuto e 10 segundos e 1 minuto e 30 segundos, mas como quedas são freqüentes, é permitido à atleta retornar em 30 segundos, caso esta caia da trave. O movimento mais difícil é o mortal para trás com giro de 360°.

Solo – num quadrado de 12m as atletas devem executar os movimentos, acompanhados por música. Comparadas aos homens, as mulheres são muito mais graciosas e leves, o que resulta numa estética mais apurada. É levado em conta a sincronia com o fundo musical, a beleza da apresentação e grau de dificuldade dos movimentos. O movimento mais difícil é o duplo mortal de costas com giro de 360° no próprio eixo.

Salto – a diferença do cavalo feminino ao masculino é a altura, 1,10m do solo. O procedimento é o mesmo, diferenciado apenas pelos resultados dos saltos (o centro de gravidade do corpo feminino é mais baixo), sendo mais precisos e graciosos. Um movimento de destaque é o Yamashida, onde, do trampolim ao cavalo, a atleta dá um salto mortal com giro de 360° no próprio eixo, toca o cavalo e retorna ao solo.

Ginástica Rítmica:

É a mais nova das disciplinas da ginástica nas Olimpíadas (desde 1984). Combina estética e esporte, sempre com acompanhamento musical. Dentro dessa disciplina existem cinco elementos que a integram, cada qual com suas peculiaridades – a bola, a fita, a corda, o arco e as maçãs. Graciosidade, leveza, simpatia e sincronia sã os requisitos para essa disciplina, também conhecida por GRD, que significa, ginástica rítmica desportiva.

Pontuação – os atletas iniciam sua série de exercícios com uma nota máxima pré-estabelecida pelos árbitros, de acordo com o grau de dificuldade dos movimentos que deverão ser executados. A cada erro cometido pelo atleta, os pontos vão sendo descontados até a formação da nota final.

Os métodos de pontuação na ginástica são basicamente os mesmos, onde o que varia é o valor dos quesitos. São eles: grau de dificuldade, combinação dos exercícios, execução dos exercícios e espetáculo (originalidade e habilidade). Por exemplo, mulheres contam 3 pontos para apresentação, 2,5 para combinações, 4 pontos para a execução e 0,5 para espetáculo. Para os homens são 3,4 como grau de dificuldade, 4,4 pontos para execução da prova, 1,6 para combinação dos exercícios e 0,6 para o espetáculo. Na ginástica rítmica, a pontuação é outra, onde o grau de dificuldade vale 5 pontos, 3 pontos pela execução, 0,5 pela atuação da atleta no plano geral, 0,5 pela sincronia rítmica e 1 ponto pela composição de um exercício.

Árbitros - somente mestres em ginástica podem arbitrar devido à grande dificuldade que se tem para identificar a perfeição dos movimentos, ainda mais hoje, que a ginástica está cada vez mais perfeita. De tão perfeita e igual, existe uma corrente que quer transformar a ginástica em esporte de exibição nas Olimpíadas, sem competição, assim talvez geraria menos discussões em torno das decisões dos árbitros.

FONTES:
CBG (Confederação Brasileira de Ginástica)
FIG (Fédération Internationale de Gymnastique)
IOC (International Olympic Committee)