Boxe – História

O boxe é uma das modalidades mais antigas do mundo, sendo praticado desde a época da Grécia Antiga. Sua primeira participação nos Jogos Olímpicos da Antiguidade aconteceu em 668 a.C., na 23ª edição da competição. Naquela época, o boxe era conhecido como pugilato.

O pugilato era disputado por dois lutadores totalmente nus, que utilizavam correias de couro, de 2cm de largura por 2m de comprimento, para envolver as mãos. A luta continuava até que um dos lutadores reconhecesse a derrota, porém, eles preferiam lutar até a morte a passar pela humilhação da derrota. O vencedor das lutas gozava de um prestígio muito grande dentre todos os habitantes da Grécia Antiga.

Com o declínio dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, o pugilato desapareceu e ressurgiu apenas, no final da Idade Moderna, já com o nome atual. Naquela época, as disputas aconteciam entre os homens mais valentes de cidades americanas e européias, e o vencedor era aquele que ficasse de pé enquanto o adversário não conseguisse mais se levantar. Não havia regras e tampouco luvas.

Em 1867, o nobre inglês, Marquês de Queensberry resolveu criar regras a fim de que o boxe se tornasse menos violento e mais equilibrado. É por essa razão que o esporte é conhecido como a nobre arte. O Marquês criou as regras atuais do boxe que, até hoje, sofreram poucas modificações. Ele criou a divisão de categorias por peso, limitação número de rounds e introduziu o uso das luvas.

A primeira luta profissional aconteceu nos Estados Unidos em 1882 e, já no ano de 1904, o boxe teve sua primeira participação olímpica em St. Louis.

No Brasil o boxe foi trazido ao Brasil por marinheiros franceses no início do séc. XX. A primeira luta em território nacional, que foi documentada, aconteceu em 1913 em São Paulo.

Naquela época, havia muito preconceito contra lutas, pois estavam ligadas à marginalidade mas, devido ao interesse do sobrinho do então Presidente da República, Rodrigues Alves, o boxe ganhou respeito e foi legalizado em 1920, com a criação das Comissões Municipais de Boxe em São Paulo, Rio de Janeiro e Santos.

Em 1923, o boxe foi proibido pelo Governador de São Paulo devido à tragédia acontecida com o ídolo da época, Ditão, que sofreu um derrame cerebral e ficou inválido para o resto da vida após sofrer uma derrota para o campeão europeu Hermínio Spalla. A proibição durou até 1925 e, após esse período de paralisação, o boxe voltou a crescer em ritmo acelerado.
Em 1933, foi fundada a Federação Carioca de Boxe, o que possibilitou que nossos atletas disputassem as primeiras competições internacionais.

O boxe nacional atingiu seu auge na década de 1960 com Éder Jofre, que conquistou o título da Associação Nacional de Boxe dos Estados Unidos – que posteriormente viria a dar origem à Associação Mundial de Boxe – mas, somente em 1962, é que Éder Jofre foi reconhecido internacionalmente com a unificação dos títulos do peso galo, que aconteceu sob o olhar atento de 23.000 espectadores no Ibirapuera, em São Paulo.

No ano de 1970, Éder Jofre, que já havia encerrado a carreira, voltou a lutar, desta vez, na categoria pena. Três anos depois, ele já havia conquistado o cinturão do Conselho Mundial de Boxe.

Aos 40 anos de idade, no ano de 1976, Éder Jofre encerrou definitivamente sua carreira com apenas 2 derrotas em 76 lutas. Ele é reconhecido pela revista The Ring Magazine, uma das mais conceituadas do mundo, como um dos dez melhores boxeadores do séc. XX e é, também, o primeiro pugilista não estadunidense a fazer parte do Hall da Fama do Boxe.

Servílio de Oliveira, em 1968, foi o responsável pelo maior feito do boxe amador brasileiro, conquistou a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, mas, infelizmente, teve a carreira encerrada precocemente devido a um deslocamento de retina.

Outro grande nome do boxe nacional é Miguel de Oliveira, que alcançou o título mundial dos médios-ligeiros do conselho Mundial de Boxe em 1975.

Após a retirada desse três grandes pugilistas, o boxe brasileiro viveu um período um tanto quanto obscuro, que só foi se reverter na segunda metade da década de 1980, com o aparecimento de Adilson “Maguila” Rodrigues, que chegou a ser número 2 do ranking do Conselho Mundial de Boxe, que tinha Mike Tyson como campeão. Em 1995, Maguila chegou ao título mundial dos pesos pesados pela Federação Mundial de Boxe, uma entidade sem tanto prestígio quanto o Conselho, a Associação e a Organização Mundial de Boxe.

O grande nome do momento no boxe brasileiro é o do baiano Acelino “Popó” Freitas, campeão mundial unificado dos superpenas pela Associação Mundial de Boxe e pela Organização Mundial de Boxe.

Boxe – Regras Básicas

O boxe é uma disputa entre dois competidores com o objetivo de castigar o adversário através de socos.

Antes de cada combate, os lutadores são pesados e passam por exames médicos. As lutas só acontecem com lutadores que são da mesma categoria, ou faixa de peso, como mostra a tabela a seguir:

CATEGORIAS DE PESO
WEIGHT CATEGORIES
QUILOS (kg)
LIBRAS (lb)
Palha JuniorStraw
47,627
105
Super Palha Straw
48,988
108
Mosca Junior Fly
50,802
112
Super Mosca Fly
52,163
115
Galo Junior Bantam
53,524
118
Super Galo Bantam
55,338
122
Pena Junior Feather
57,153
126
Super Pena Feather
58,967
130
Leve Junior Light
61,235
135
SuperLeve Light
63,503
140
MeioMédio JuniorWelter
66,678
147
SuperMeio Médio Welter
69,853
154
Médio JuniorMiddle
72,575
160
SuperMédio Middle
76,204
168
MeioPesado LightHeavy
79,379
175
Cruzador Cruise
86,183
190
Pesado Heavy
+86,183
+190

 

As lutas são divididas em rounds (ou assaltos) de 3 minutos com intervalos de 1minuto entre eles. As lutas profissionais são disputadas em 10 rounds, as amadoras em apenas 3 e, as disputas de títulos profissionais, são feitas em 12 rounds.

Existem 4 maneiras de se terminar uma luta:
Nocaute – Knock-Out (KO), acontece quando um lutador vai à lona e não consegue se levantar antes que o árbitro conte até 10 (dez segundos).

Nocaute Técnico – Technical knock-Out (KOT), quando o árbitro percebe que um 7 dos lutadores, mesmo que ainda esteja em pé, não tem mais condições de continuar no combate, encerrando-o para preservar a saúde do lutador.

Desistência – ocorre quando o técnico atira uma toalha dentro do ringue anunciando a desistência do lutador. Daí surgiu à expressão jogar a toalha. Quando isso acontece, é considerado nocaute técnico.

Fim dos rounds – quando o combate não termina antes do tempo programado (3, 10 ou 12 rounds), ele é decido por pontos que são concedidos por 3 jurados, ou juízes, que ficam sentados um de cada lado do ringue. Os juízes devem conceder os pontos ao final de cada round, levando-se em consideração, os critérios de ataque, defesa, técnica e eficiência. A pontuação é feita da seguinte maneira:


10 x 10

–round empatado

10 x 9

–leve vantagem

10 x 8

–leve vantagem e uma queda (ou Knock-Down)

10 x 8

–superioridade marcante

10 x 8

–round equilibrado com uma queda

10 x 7

–superioridade marcante e uma queda

10 x 7

–duas quedas

 

Se a luta for válida por uma disputa de título, e terminar empatada, o campeão manterá o cinturão.

Ringue – é um quadrado de, no mínimo, 4,90m e, no máximo, 6,10m cercado por quatro cordas presas a quatro postes chamados corners. O piso ou tablado do ringue deve ficar entre 91cm e 1,22m de altura do solo e é revestido por um material macio, de feltro, borracha ou outro material compatível, que tenha entre 1,3 e 1,9cm de altura para absorver o impacto nas quedas, o qual será coberto por uma lona (daí vem à expressão beijar a lona).

Cada corner do ringue é de uma cor diferente:
Vermelho – no canto esquerdo da mesa do diretor do combate.
Branco – no canto direito da mesa do diretor do combate, e em sua diagonal.
Azul – na diagonal do corner vermelho.

O ringue deve ainda, ter três escadas ao seu redor, sendo uma ao lado do corner azul e outra do córner vermelho, para uso dos lutadores, e uma terceira escada ao lado do córner branco próximo à mesa diretora, para uso do árbitro e médicos.

Luvas – são acolchoadas para absorver o impacto dos socos. Os lutadores não podem usar luvas próprias durante os combates, é a organização do evento quem as fornece. Existem dois tamanhos de luvas:
8 onças – 227g, usadas por lutadores de até 69,85Kg (Super Meio Médio).
10 onças – 284g, usadas pelos demais lutadores.

Protetor bucal – é de uso obrigatório. Se durante o combate um dos lutadores ficar sem o protetor, a luta será interrompida para recolocação deste, porém, se o árbitro perceber que o lutador o derrubou propositalmente, uma punição deverá ser aplicada.

Capacete – é obrigatório em combates entre amadores.

FONTES:
CBB (Confederação Brasileira de Boxe)
IOC (International Olympic Committee)